Havia um menino (ele vivia numa sala escura) que viu um feixe de luz a sair de uma porta. Acho que deveria encontrar detrás daquela porta algo maravilhoso. Contemplou o feixe por uns momentos, e depois, receosamente decidiu avançar. Descobrir o lado de lá. Ver se vale a pena. Avançou. Achou que ia encontrar o sol. Que ia encontrar árvores, flores. Que ia encontrar a Natureza. Que a ia encontrar. Que ia poder correr livremente. Que ia finalmente conhecer o que achava impossível de alcançar. E então abriu um pouco mais a porta. E o feixe que parecia forte, belo, intenso, não passava do reflexo que a luz que passava por uma janela translúcida a tender para o opaco fazia ao encontrar a parede cinzenta. Foi iludido. Não encontrou nada de novo, e ao fim de algum tempo, voltaram a fechar a janela.
Valeu a pena? Sim, agora não voltaria a entrar na sala. Não voltaria a ser iludido. Não voltaria a aumentar as suas esperanças.
Deixara de acreditar.
E com ele, eu também.
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